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IMPRENSA
Jornalista do Expresso vai à consulta de José Prudêncio
ÚNICA Nº 1905 de 1 Maio 2009
José Prudêncio foi surpreendido quando uma cliente lhe telefonou a dizer que era uma jornalista do Expresso e que tinha ido incógnita à consulta para fazer uma reportagem.
ÚNICA Nº 1905 - 01 Maio 2009

As Linhas do Destino

Ler as mãos e aí ver a sua vida ainda faz sentido? E é verdade o que dizem?

Fomos a três “consultas”, da mais credível à clássica cigana. Bem-vindo a um universo de linhas de Urano, anéis de Salomão e cinturas de Vénus.

Ilustração de Pedro Figueiral

TEXTO DE KATYA DELIMBEUF [O artigo encontra-se em PDF no site da jornalista: www.katyadelimbeuf.com]

No século IV a.C., quando Aristóteles ensinava a arte de ler a palma das mãos a Alexandre o Grande, um dos maiores estrategos militares de sempre, a validade da quiromancia não era posta em causa. Hoje, que já não se adivinha futuro nas vísceras dos animais nem se sacrificam virgens aos deuses, ler a sina é um método em vias de extinção. Mas ainda há quem procure saber o que dizem as linhas das palmas das mãos. Propusemo-nos fazer a prova dos nove, submetendo-nos a três experiências. Procurámos no “novo Olimpo”: a internet, claro — afinal, não há nada que não esteja escrito na web, o equivalente moderno das estrelas.

Foi lá que encontrámos o primeiro quirólogo (e não quiromante — que ‘mancia’ remete para adivinhação e ‘logia’ para estudo, explicou-nos), José Prudêncio. E também a segunda, Olga Rodrigues — cujo nome só saberíamos depois de telefonar. Para a cigana teríamos que recorrer à rua. José Prudêncio tem site, escritórios em Lisboa, Porto e Braga, pode ler-se, e currículo que baste para impressionar — professor de Filosofia e Psicologia na Escola Secundária do Estoril, com mestrado em Astronomia Cultural e Astrologia da Universidade de Bath, em Inglaterra, a trabalhar num doutoramento em Astrologia Filosófica, e a lançar este mês um livro que é o estudo comparativo entre os mapas astrais de José Saramago e José Augusto França. Um telefonema marca a consulta. São 80 euros (com recibo) e uma hora, que dá direito a análise das mãos feita em conjunção com a do mapa astral e, no final, CD com a gravação da conversa.

José Prudêncio recebe-nos no seu escritório, ao lado do Colégio Moderno, no Campo Grande, impecavelmente vestido de fato e gravata, botões de punho elegantes e barba aparada. A casa é soalheira, o escritório organizado, forrado a estantes brancas cheias de livros e revistas. Na secretária repousa o computador portátil, no qual José introduz os dados do cliente, o gravador digital e, num cantinho da mesa, um pequeno Buda e uma ametista. Nada de velas, panos com estrelas nem “ambientes à Harry Potter”, como poderia sugerir a imagética do preconceito. Desde logo, desfazem-se alguns mitos: a leitura não é apenas de uma das mãos, mas das duas. As linhas não dão respostas taxativas como “quantos filhos se vai ter” nem “quantos anos se vai viver” — até porque mudam ao longo da vida. Logo, não é tanto uma previsão do futuro o que se pode obter numa leitura, mas antes uma compreensão global das nossas características.

Não dei o meu nome verdadeiro nem a profissão, para não revelar informação que queria saber se Prudêncio me iria dar. Para começo de conversa, fico a saber que tenho uma “cintura de Vénus invulgarmente forte”. “Acho mesmo que nunca vi ninguém com este traço tão marcado”, sentencia José. O que significa isso? “É uma dupla linha do coração. É sinal de capacidades artísticas, ligação à comunicação e... excesso de amor. Excesso de afectos, romance, envolvimentos amorosos. Esta cintura de Vénus vai dar-lhe algum trabalho... Há tendência para várias relações afectivas. O seu lado ideal tem dificuldade em lidar com o real. Quando descobre que os seus príncipes são sapos, e não há nenhum que não seja —, desilude-se.” Até aqui, tudo certo. O facto de eu ter “mãos compridas é um pouco como se estivessem viradas para o céu, mais ligadas ao etéreo”, continua. Isto traduz-se numa “grande sensibilidade e emotividade, melancolia. Passa por muitos estados de humor ao longo do dia e canaliza a sua sensibilidade para o trabalho”. Cada tiro, cada melro. Aliás, há, diz ele, uma ligação forte entre a identidade e a profissão, muito “associada à aprendizagem e à expansão de novos horizontes”. (Acerta de novo). Nas mãos, vê ainda “relações com o estrangeiro e fortes possibilidades de parcerias com outros países” (o que também confere) e “grande seriedade e sentido de responsabilidade no trabalho”. Outra coisa “rara” nas minhas palmas é “uma linha de Urano, sinal de grande capacidade intelectual. É rápida a pensar, inventiva, original, intuitiva.” (De ego reconfortado, pergunto-me se é agora que devo pedir um aumento...)

Descubro também que tenho “uma linha de Saturno forte, com hipótese de ter vários trabalhos ao mesmo tempo — até três. Nunca pense na sua vida em reformar-se”, diz-me. “Não é para si. O trabalho é a sua terra, canaliza os seus pensamentos, a sua agressividade...” Fala, ainda, do meu “lado mais bélico, agressivo”. “Está a ver aqui? Se se metem consigo, levam! Há uma tendência um bocadinho explosiva em si, radical, de extremos. Às vezes, a frontalidade excessiva não a beneficia. Tem que desenvolver o seu lado diplomata, ser uma voluntarista de segundo grau”. Confere tudo, de novo. Da linha da cabeça, José Prudêncio revela que “é forte e bifurcada”, o que denota “capacidade para escrever. Muitos escritores têm este traço. Esta linha, que vai por aqui abaixo, quer dizer imaginação, fantasia, sonho... Embora também haja um certo medo, porque leva a escrita muito a sério. Há coisas que só vai escrever a seguir aos 40”, diz. Aí vem o meu romance, sorrio interiormente. Quanto à linha da vida, explica que a minha é “dupla”, o que quer dizer que o meu poder mental fortalece a minha saúde. “Força anímica e grande capacidade de concretização”. Filhos? “Não há razão nenhuma para não ter. Pode ter um, dois, três, quatro — mas é difícil de ver, porque a contracepção interfere com a natureza em relação a isso”. O casamento é que deve ser levado com cautela, até porque “não tem nada que ver com o amor, tem que ver com segurança”, considera. “O casamento é a coisa mais anti-romântica que eu conheço. Se é uma romântica, nunca se case. Diria mesmo que é um erro uma pessoa casar com quem ama. Deve casar com alguém que oferece garantias”. É a estocada final para esta romântica...

Parte II: O anel de Salomão. No outro espectro desta experiência está a nossa segunda consulta, levada a cabo por Olga Rodrigues, em Massamá. Ao telefone, ela avisa que a leitura das mãos é apenas parte do tempo, sendo as cartas de tarô o complemento para perguntas mais específicas. O preço é de 25 euros, sem recibo, a duração menos de uma hora. Olga ronda os quarenta, veste um pólo cor-de-rosa e tem um aspecto informal, apesar do cabelo esticado. Recebe-nos em casa, que é também o seu ‘escritório’ há mais de três anos. Ao contrário do soalheiro apartamento de José Prudêncio, aqui está tudo às escuras. Sou encaminhada para um quarto pequeno, onde o espaço é disputado por uma cama de ferro encostada à parede, uma mesinha coberta com um pano azul escuro com estrelas (lá está o ambiente Harry Potter) e uma pequena secretária com vários objectos, entre os quais uma bola de cristal — é verdade — e um necéssaire cor-de-rosa, de onde sairão as cartas do tarô e a lupa para me ler as mãos. A amiga com quem Olga partilha a casa-escritório liga uma suave música ambiente e dá corda ao cronómetro, a lembrar os de cozinha, para marcar o tempo. Meia hora mais tarde, apitará, como que a avisar que o rosbife está pronto. Sob a lupa de Sherlock, Olga foca-se mais na minha mão esquerda, com a qual escrevo, e começa: “Uma infância atribulada. Muitos pretendentes — alguns que lhe dão água pela barba. Aliás, vai continuar a ser pretendida a vida toda, mesmo depois de casada”, diz. “Forte intuição, como se pode ver na sua mão direita, no anel de Salomão. Chamam-lhe o ‘anel da bruxa’. Significa que tem grandes capacidades mediúnicas.” Fala-me também em “muitas viagens”. Confirmo. Olga diz que a minha linha da vida vai até aos 75, 80 anos, mas que poderei ter “um acidente ou problema grave por volta dos 55, 57.” No entanto, como “as linhas da mão esquerda mudam de seis em seis meses”, e “o livre arbítrio” entra em linha de conta, posso ter esperança de alterar isto. Quanto às linhas da cabeça e do coração, “têm muitas ilhas”, o que significa “problemas de saúde, arritmias ou possíveis ataques cardíacos...”, considera. Filhos, vê “dois, por enquanto”. Profissionalmente, tenho “muitos quadrados”, o que quer dizer “sucesso garantido em projectos em nome individual”, e que nunca me “faltará trabalho”. Oxalá! Segue-se a leitura de tarô, e uma pequena conversa a que a minha curiosidade me impele: há quantos anos lê mãos (“cerca de dez”), se a crise tem afectado o número de consultas (“não, as pessoas continuam a procurar-me quando a vida não lhes corre bem”) e quais as principais questões que as preocupam (“dinheiro. a falta dele”).

Parte III: O previsível mau olhado. Normalmente, quando pensamos numa cigana a ler a sina, a frase que nos vem à cabeça é “mau-olhado”. Fomos confirmar ou desmentir esta ideia. Na av. de Roma, cruzo-me com uma. “Lê a sina?”, pergunto. “Leio. Há muitos anos. Anda comigo e não digas nada, senão corta o efeito”, avisa. “Tens sorte, não costumo andar por esta rua. Foi Deus que me mandou para aqui”. Inquiro quanto é a leitura de mão e quanto tempo demora. Não responde a nenhuma das perguntas, mas inicia desde logo a sua interpretação. Pergunto que mão quer. “Não preciso de te ver a mão, já vi tudo no teus olhos”, retorque. Começa o “diagnóstico”: “Tens uma grande inveja em cima de ti, que te puseram duas amigas... Tens filhos? Não? Mas gostavas? Compra uma garrafa de álcool etílico, esvazia-a pela metade, acrescenta-lhe duas borrifadelas de sal fino e durante 15 dias salpica o tapete da tua entrada com isso. É para afastar os maus espíritos”, explica. “Depois, durante o mesmo tempo, diz esta oração: “Trosca marrosca, Mordaça na boca, Tira-me este mal da inveja, Que eu tenho dentro de mim, Onde elas rezem, medrem, e no inferno berrem.” Ao fim de nem 10 minutos, a ‘conta’ é-me apresentada: 60 euros, mais óculos de sol como “brinde”. Dou-lhe 30 e mesmo assim sinto-me roubada.

Não satisfeita com aquela “leitura de olhos”, rumo à rua das Murtas, ao pé do hospital Júlio de Matos, à procura de uma cigana palmista, com algum dom para lá do da aldrabice. Três homens do bairro indicam-me de imediato “uma boa mulher para ler a sina, a Ermelinda”. A Ermelinda é contactada, via telemóvel — mas não está nas redondezas. Não há problema, recorre-se à mãe da Ermelinda, que também é “cinco estrelas”. Cinco minutos passados, aparece a D. Maria, uma senhora de olhos azuis, nos seus cinquentas. Faz-me sinal para me aproximar e para irmos para um sítio mais recatado. Estamos agora numa zona completamente deserta. Olha para a minha mão direita por breves segundos (não pergunta com que mão escrevo) e diz: “Já vi tudo. Tens as linhas cortadas, a do amor e do trabalho”. Agora, só por 100 euros pode “mergulhar” dentro de mim e fazer a sua parte, explica. “Só tenho 20...” Rebate que tem que “mandar vir as velas do Brasil e rezar muitas novenas durante 15 dias em Braga, no Bom Jesus”. Isto parece um filme. Será que tenho um ar assim tão ingénuo? Pergunta se existe alguém na minha vida amorosa, e sugere que se faça “um trabalho” sobre ele. “É preciso”, diz. “Traga-me uma foto dele e outra sua”. É com dificuldade que me consigo desembaraçar de marcar outro encontro para dar “o restante dinheiro”. Saio dali a pensar que, como em todas as áreas, até na quiromancia há profissionais credíveis, medianos, e simples aldrabões. As linhas cá estão, para o que der e vier. É bom saber que tenho o destino nas minhas mãos.

A Nova Astrologia IN', Notícias Sábado, DN e JN, 16 Agosto de 2008
Entrevista de Carla Maia de Almeida
Notícias Sábado, IN', 16 Agosto 2008

34' DESTAQUE

O astrólogo que não acredita na astrologia

Não gosta que lhe chamem “astrólogo”, por isso inventou para si um novo termo: astrofilósofo. Propõe-se resgatar a astrologia das suas três grandes ilusões – a ciência, a religião e a psicologia – e escreveu um livro onde explica os caminhos de uma quarta via. A astrofilosofia, precisamente.

Texto de Carla Maia de Almeida

Quando um astrólogo diz que não acredita na astrologia, no mesmo sentido em que não acredita “no sobrenatural, nem no oculto ou na magia”, algo de estranho se passa no reino do Zodíaco. Mas é exactamente isso. Para José Prudêncio, um nome familiar aos leitores da Notícias TV, ter ou não ter fé na astrologia não é o mais importante, quando se trata de extrair daí informações práticas e princípios éticos orientadores de vida. Com uma visão desassombrada do seu próprio ofício, encara a astrologia como um sistema simbólico de interpretação do mundo e do cosmos, colocando o indivíduo no centro, como produto e co-criador. Um sistema que encontrou há dois mil anos a sua linguagem e as suas técnicas, e como tal deve ser compreendido. Sem pretensões científicas e sem os mantos diáfanos do transcendente. O que sobra, então? A astrofilosofia. Um astrofilósofo será, então, “alguém que a partir dos planetas do nosso sistema solar constrói teorias, sistemas de referência e modelos interpretativos”, afirma.

Embora o processo de escrita e organização tivesse levado poucos meses, José Prudêncio considera ter demorado vinte anos para chegar a Astrologia e Filosofia – Um Discurso Sobre o Tempo e os Instintos (Esfera do Caos). Um livro em que pretende divulgar “o conceito inédito de astrofilosofia” e pôr alguma ordem numa área de “grande confusão conceptual”, como explicou ao IN. “Este livro foi feito para pessoas que se interessam pela astrologia, mas não se contentam com abordagens simplistas nem com inconsistências. E foi feito também para pessoas que se interessam por filosofia.” É nessas duas secções que gostaria de o ver arrumado nas livrarias – e não junto aos títulos de esoterismo e auto-ajuda, sobre os quais faz, digamos, uma crítica tolerante. Essa é, aliás, uma das características da obra: a sua desvinculação de abordagens de ataque a outras propostas astrológicas, venham estas de um linha esotérica, kármica, humanista ou popular. “A lógica do contra não faz parte das minhas intenções. Eu nem sequer ataco os horóscopos dos jornais, ao contrário da maioria dos astrólogos. Embora, do ponto de vista científico, o seu valor seja zero, do ponto de vista subjectivo podem significar um momento de reflexão. Se as pessoas se distraem demasiado com esses horóscopos e ignoram outras vias, é porque estão nesse nível de consciência.”

Em trezentas páginas, o autor apresenta a sua própria concepção de astrologia, fazendo-a regressar a “casa”, isto é, à tradição filosófica e científica grega. Depois de ter sofrido o embate do racionalismo e das descobertas de Copérnico, Galileu e Descartes, viu decair a sua importância. Mas, apesar de não consagrada pela instituição académica, a astrologia não se extinguiu – pelo contrário, foi sendo enriquecida por sucessivos saberes e práticas, ao longo dos últimos quatro séculos. “A astrologia pode não ter bases cientificas, mas baseia-se na inteligência da Humanidade”, defende José Prudêncio. “As diversas civilizações foram construindo sistemas para interpretar os sinais, os fenómenos, os acontecimentos, e tudo isto produziu um conhecimento eficaz. É um instrumento de ordem probabilística e conjectural. Não tenho dúvida de que a astrologia serve para prever o futuro – aliás, é essa a sua grande utilidade. E, ao prevê-lo, tendencial ou factualmente, podê-lo mudar. Resta sempre uma margem de imprevisibilidade. No limite, não tenho a certeza de nada quanto ao futuro.”

Quando a astrologia chega à universidade

Houve um tempo em que a astrologia era estudada como uma disciplina “científica”, antes de Copérnico afirmar que a Terra não era o centro do universo. Em 1993, estalou o verniz académico quando a astrologia chegou à intocável Sorbonne, com a apresentação de uma tese de doutoramento intitulada “A Astrologia: Fundamentos, Lógica e Perspectiva”. Na Alemanha, Inglaterra e Dinamarca outros estudiosos seguiram a mesma via, enquanto nos Estados Unidos da América o Kepler College continua a propor cursos de licenciatura e mestrado nesta área. Mas desengane-se quem imagina que ali se ensinam a fazer e interpretar cartas astrológicas, ou por que razão os Virgens são perfeccionistas e os Escorpiões obsessivos.

“Isso é uma ficção das pessoas”, diz José Prudêncio. Licenciado em Filosofia e detentor de um mestrado em Astronomia Cultural e Astrologia, conferido pela Bath Spa University, em Inglaterra, recolheu aí muito do material teórico que explicita no seu livro. “Mas não aprendi nada enquanto astrólogo. Com excepção da Índia, onde a astrologia tem outra importância, ninguém aprende quaisquer técnicas nas universidades.” Os estudos superiores da astrologia tomam o objecto enquanto fenómeno histórico, social e cultural, evitando cair em juízos de valor sobre o seu alcance prático. Sujeita à crítica epistemológica, a astrologia tem feito um percurso oscilante na instituição académica, sendo duvidoso que alguma vez volte a ocupar o alto patamar do conhecimento que lhe foi dado noutros séculos. Mas quem pode ter a certeza?

José Saramago e José-Augusto França: as coincidências dos astros

Nascidos no mesmo dia (16 de Novembro de 1922), com apenas meia hora de diferença e a 21 quilómetros de distância um do outro, José Saramago e José-Augusto França constituem um caso de coincidência astrológica que se manifestou em semelhanças de percurso pessoal, familiar e profissional. O interesse de José Prudêncio levou-o a escrever um livro sobre o assunto, ainda inédito. Os dois “Josés” perderam os irmãos na infância; ambos conheceram as futuras mulheres no mesmo ano e se divorciaram em 1970; e ambos casaram pela segunda vez com uma mulher estrangeira, entre outros aspectos comuns. Ao longo da vida, “tiveram sempre uma estranha impressão de saberem o que o outro estava a pensar”, segundo lhe contou José-Augusto França. Um dos tópicos de Astrologia e Filosofia incide sobre a análise das duas personalidades intelectuais, com quem José Prudêncio conversou pessoalmente. “Incluí este capítulo pela minha má consciência”, diz. Estou em dívida para com o José Saramago, que me recebeu durante três dias em Lanzarote, e também com o José-Augusto França.” O livro está praticamente pronto, a aguardar oportunidade de publicação. “Posso acabá-lo num mês… ou posso acabá-lo em cinco anos.”

O mito anti-ético da alma gémea

José Prudêncio diz que há "milhões de almas gémeas" e pretende desmistificar a ideia de que existe uma única. "Isso é uma ficção que causa muito sofrimento".

“O amor é um dos temas mais comuns nas minhas consultas, acrescido pelo facto de cerca de três quartos de quem me consulta serem mulheres. As necessidades de segurança emocional e afectiva são instintos poderosos”, escreve José Prudêncio, em Astrologia e Filosofia. Independentemente do estado civil da cada um, os sintomas coincidem: incertezas, insatisfação, cansaço, ciúmes, solidão, etc. Na segunda parte do livro, mais pragmática, o tópico 47 (“Orientação para a felicidade possível”) lança as bases para as conclusões apontadas algumas páginas à frente, no que se designa por uma “Ética do amor à luz da Astrofilosofia”. Aqui, o autor contesta o impulso volúvel que muitas vezes precipita o fim das relações, ao mesmo tempo que arrasa a ideia falaciosa e transcendente de “alma gémea”.

“Não há uma alma gémea, há milhões. A ideia da alma gémea única é uma ficção que causa muito sofrimento”, confirmou ao IN. E explica porquê: “Leva-nos a não aceitar o outro como pessoa. Nesse sentido, é um mito anti-ético. Julgar que há alguém que encaixa em mim por ordem divina é negar a ética, que pressupõe vivermos com pessoas que não encaixam assim tão bem connosco.” É certo que existem casos de “compatibilidade extraordinária” – como sucede com José Saramago e Pilar del Rio, o exemplo mais perfeito que encontrou em vinte anos de consultas. Porque perfeitos, ou quase, são também raros. O mais comum será encontrarmos “pessoas com quem nos harmonizamos melhor do que outras”, o que não nos livra da responsabilidade individual. “Há relações que se constroem e que são difíceis de construir. Não há paraísos. A não ser aqueles que vamos conseguindo inventar e que são temporários.”

A par da alma gémea, José Prudêncio desmitifica também a questão do divórcio, no que à primeira vista poderá parecer uma visão conservadora. Excluindo a vivência de problemas graves, com consequências físicas ou psicológicas, a ruptura não é sempre a solução. “Para uma pessoa que tem uma família, não acho que seja legítimo divorciar-se na base de um egoísmo individual feroz. Se eu tenho filhos, não posso pensar em divorciar-me de uma pessoa só porque já não estou apaixonado por ela! Isso gera grande instabilidade nas crianças e gera uma sociedade mais infeliz.” Se a astrologia é capaz de prever as fases de maior crise e inquietação interior, uma consulta poderá ajudar o indivíduo a lidar melhor com a situação. “Por isso é que o livro termina numa ética. É preciso a pessoa desenvolver um sentido do eu mais harmonioso, para poder lidar melhor com aquilo que não lhe agrada. Se eu fizer isso, consigo suportar melhor as desarmonias do outro.”

O autor recomenda

Astrology in the Year Zero, GARRY PHILLIPSON (Flare Publications). Para uma visão contemporânea da astrologia, simultaneamente crítica e interdisciplinar, José Prudêncio recomenda este livro de um ex-colega de mestrado que está agora a completar o doutoramento.

Astrology and the Academy: papers from the inaugural conference of the Sophia Centre, Bath Spa University, NICHOLAS CAMPION, PATRICK CURRY & MICHAEL YORK (Cinnabar Books). Conferências apresentadas por especialistas de diversos países, a 13-14 de Junho de 2003, inaugurando o "MA in Cultural Astronomy and Astrology" que marcou a re-entrada da astrologia na universidade.

Ciência, Astrologia e Sociedade: a teoria da influência celeste em Portugal (1593-1755), LUÍS MIGUEL CAROLINO (Fundação Calouste Gulbenkian). A primeira tese de doutoramento sobre o tema da astrologia defendida em Portugal.

REVISTA CORPO DE MULHER
10 Perguntas ao Especialista em Astrologia
Entrevista de Fernanda Brito. Jan/Fev 2008
"O QUE ACONTECE POR NECESSIDADE PODE SER PREVISTO; O QUE DEPENDE DA NOSSA VONTADE PODE SER PREVISTO ATÉ CERTO PONTO, CONHECENDO-SE A PESSOA, O SEU CONTEXTO, SABENDO-SE ASTROLOGIA OU PSICOLOGIA; O QUE DEPENDE DO ACASO NÃO PODE POR DEFINIÇÃO SABER-SE."
1 Que é a astrologia?

Para o senso comum a astrologia refere-se às influências astrais, à previsão do futuro, ao destino, aos Signos do Zodíaco das revistas. Outros ligam-na à adivinhação e ao mediunismo, ao Tarot, à quiromancia, às ciências ocultas, ao sobrenatural e à magia. Ambas as perspectivas são incorrectas. No meu entender, a astrologia é um sistema de pensamento, um sincretismo da filosofia grega – que junta um conjunto de concepções filosóficas e cósmicas que vão desde os Pré-socráticos até Aristóteles – que serve para ser aplicado à vida, ao tempo e aos assuntos humanos. É um sistema de orientação e de previsão, sendo os seus enunciados de ordem conjectural e probabilística. Não creio que a astrologia permita ler o futuro como num livro aberto, mas pode ajudar a compreender e a lidar com situações concretas e com a sua evolução provável. Neste sentido, é um instrumento de conhecimento e de gestão pessoal.

2 É ou não verdade que os astros influenciam de facto a nossa vida quotidiana?

Quanto ao Sol e à Lua, não há dúvida que têm uma influência directa sobre o nosso planeta, sobre as plantas, os animais e os seres humanos. Recordo-me duma amiga médica, que faz urgências num hospital, me dizer que em noites de Lua cheia há aumento de acidentes, de excessos de álcool, agravamento do estado de doentes psiquiátricos: “quando se junta a Lua cheia com o fim-de-semana, aí já sabemos que vai ser complicado”. É curioso que já Aristóteles considerava que a Lua tinha uma influência sobre o cérebro e os estados de humor. É também conhecido que as pessoas com certas doenças mentais tendem a piorar em determinadas épocas do ano e que a falta da luz solar tem um efeito depressivo. Verifica-se também que o mês lunar é de 28 dias, o que corresponde ao ciclo menstrual das mulheres. Outro pormenor, o período da gestação é de nove meses, não de calendário, mas lunares. Estes e outros fenómenos são conhecidos e fazem parte do senso comum. A outro nível, existem estudos, em particular os conhecidos por “Efeito de Marte” do psicólogo francês Michel Gauquelin, que mostram correlações entre as posições de Marte, Vénus, Júpiter e Saturno, no momento do nascimento de um indivíduo, e notabilidades profissionais nos domínios desportivo e militar, artístico, político e científico.

3 Qual a importância do livre arbítrio, se partirmos do pressuposto que o nosso futuro está predestinado?

Não creio que o nosso destino esteja escrito duma forma inelutável, mas é um facto que temos um conjunto de determinações de ordem hereditária, familiar, social e, enquanto seres deste sistema solar, cósmicas, que nos influenciam e condicionam. No entanto, há também uma importante margem de liberdade individual, que aumenta com o desenvolvimento da consciência, por exemplo, por via da astrologia. Igualmente, a evolução do pensamento, das interdições e das práticas morais e religiosas, da ciência e da tecnologia, têm alargado o domínio da liberdade humana. Em geral posso dizer, tal como Ptolomeu na sua obra o Tetrabiblos, que as coisas nos acontecem devido a três factores: a necessidade, a nossa vontade ou o acaso. O que acontece por necessidade pode ser previsto; o que depende da nossa vontade pode ser previsto até certo ponto, conhecendo-se a pessoa, o seu contexto, sabendo astrologia ou psicologia; o que depende do acaso não pode por definição saber-se, como é o caso dos números do Euromilhões.

4 O que podemos esperar de uma consulta de astrologia?

Das consultas de astrologia, não sei, porque há pessoas com formações e motivações muito díspares. Das minhas consultas, pode-se esperar obter uma compreensão mais profunda das características e das capacidades pessoais, orientação para perguntas e para assuntos concretos, previsão das tendências e do potencial futuro. Como lidar melhor com as fases da vida profissional, amorosa, familiar, económica. Pode saber quando é mais provável ter uma nova relação ou compreender melhor um relacionamento, a sua compatibilidade. Pode obter orientação e apoio em escolhas e tomadas de decisão. Finalmente, leva um CD gravado com a consulta para poder ouvir novamente.

5 Sente que a astrologia é uma ciência ao serviço do percurso natural da vida, ou o percurso natural da vida é que vai servindo a astrologia?

As dificuldades da vida servem demasiadas vezes para serem exploradas, com promessas de soluções mágicas e de milagres, por pessoas que afirmam ter um poder sobrenatural. Pessoalmente, não acredito em milagres nem em poderes sobrenaturais. Acredito antes que a bondade e o afecto, a filosofia, a ciência, a tecnologia, a arte e o desporto nos podem ajudar a ter uma vida mais feliz. Para mim, a astrologia faz parte da filosofia e pode ser útil se praticada com sabedoria e com vontade de ajudar… e ao prestar um bom serviço aos outros presto um bom serviço a mim próprio, pois vivo do meu trabalho e da boa publicidade que me fazem.

6 No nosso País, as práticas de antevisão do futuro são cada vez mais uma prática recorrente, ou sente que ainda existem algumas reservas em relação a este assunto?

O desejo de antever o futuro não é mera questão de curiosidade, é antes uma necessidade fundamental que ajuda a fazer escolhas e a tomar decisões no presente. A previsão mais eficaz não é a que adivinha o futuro, mas a que acautela o presente. É perfeitamente racional tentar perceber as nossas tendências e os factores que nos influenciam para programarmos a nossa vida de forma mais eficaz e não sermos vítimas dum futuro que não queremos. O problema é encontrar pessoas que nos possam proporcionar orientações e previsões valiosas, dado que a maioria tem pouca formação, muita crendice e má orientação filosófica.

7 Que tipo de formação deverá ter aquele que pretende fazer da astrologia o seu modus vivendi?

Ainda não existe em Portugal uma escola de astrologia de nível superior, existem apenas alguns astrólogos que dão cursos. Uma formação interessante é proporcionada pela Faculty of Astrological Studies de Londres, ou pelo CPA – Centre for Psychological Astrology. Estou a trabalhar para trazer a astrologia à universidade em ligação com a filosofia. Creio ser essa a formação mais adequada: a que junte o melhor da astrologia com a filosofia aplicada à vida. A minha formação é única em Portugal: sou licenciado em Filosofia e fiz um mestrado em Inglaterra com alguns dos maiores astrólogos da actualidade; a que acresce os meus estudos de psicologia. Estudei também Programação Neuro-Linguística, hipnose, meditação.

8 Que benefícios pode oferecer-nos a astrologia em relação a outras "práticas adivinhatórias"?

Não vejo a astrologia como adivinhação, o que eu faço é orientação pessoal e previsão. A adivinhação pode ser muito negativa. Em geral, não recomendo as práticas astrológicas porque têm uma orientação filosófica incorrecta e misturam crenças sobrenaturais e religiosas. Há muita confusão nestas áreas. No entanto, se bem praticada, a astrologia tem bases científicas e filosóficas muito superiores às chamadas ciências ocultas e artes divinatórias, podendo ser um instrumento poderoso de auto-compreensão e de desenvolvimento pessoal.

9 Existe ou não uma base científica associada à astrologia?

O mapa astral, que é a base da astrologia, tem fundamentos matemáticos e astronómicos rigorosos. Para além disso, os estudos científicos mais famosos sobre astrologia foram realizados por Michel Gauquelin e ficaram internacionalmente conhecidos por The Mars Effect. Após dezenas de anos de estudo e de análise de muitos milhares de mapas, Gauquelin concluiu que existem dados objectivos relativamente aos planetas no momento do nascimento.

10 Por fim, gostaria de lhe pedir para levantar um pouco o véu face a alguns aspectos relacionados com cada Signo para o decorrer deste novo ano.

Através dos Signos não se podem fazer previsões personalizadas, isso só é possível numa consulta, através da posição dos planetas e dos seus movimentos, calculando primeiro o mapa astral com a data, hora exacta e local de nascimento. Facilmente se percebe o disparate que é dividir a humanidade em 12 Signos e dizer que vai acontecer a mesma coisa a milhões de pessoas. É por isso que estas previsões têm apenas um valor lúdico.

O Carneiro vai entrar em 2008 numa fase de transformação radical e de renovação. Para alguns isso pode significar crises sérias, fim de relações, mudanças de emprego, problemas familiares.

O Touro estará numa fase de construção, organização, trabalho produtivo, mudanças muito positivas. Isto aplica-se em particular aos do começo do Signo; inversamente, quem nasceu no final estará num período de confusão e indecisão, a precisar de muita paciência e de dar tempo ao tempo.

Os Gémeos estão num período de trabalho duro, de luta para produzirem algo efectivo, prático, em vez de se perderem numa multiplicidade de ideias e projecto teóricos.

O Caranguejo vai passar por mudanças estruturais, fim de relações, tendências introspectivas, especialmente o começo do Signo. Para quem nasceu no meio, estará numa fase de inovação e libertação.

O Leão tem passado por períodos de grande confusão, instabilidade, incerteza e desilusões amorosas. Há que não levar as situações desagradáveis demasiado a peito.

A Virgem está numa fase de decisões construtivas, de trabalho intenso e de tomada de decisões que vão ter grande impacto ao longo dos próximos anos.

Os nascidos no começo da Balança vão entrar num período de renovação, de análise pessoal e de tomada de decisões que vão mudar radicalmente a ideia que têm sobre si. Para os nascidos para o final do Signo, o tempo é de inspiração, idealismo e entusiasmo.

O Escorpião está numa fase de organização através de novas informações, de inovação, de descoberta de novas emoções e de libertação de medos antigos.

O Sagitário terá um período de trabalho intenso, na tentativa de construir algo de consistente. Quem nasceu no final do Signo, está num período revolucionário, de mudanças radicais e de vontade de independência.

O Capricórnio está numa fase muito produtiva, de trabalho eficaz. Quem nasceu no começo do Signo vai passar por mudanças estruturais que se vão prolongar por vários anos.

O Aquário tem passado por tempos de indefinição, fantasia e irrealismo. Isto continua a aplicar-se a quem nasceu nos últimos dias do Signo. Estão muito acentuados os ideais humanitários e o sentido de serviço desinteressado à sociedade.

Os Peixes estão num tempo de revolução, de descoberta de novas emoções e com uma grande capacidade inventiva. Para alguns é também um tempo de concretização e de trabalho pragmático, que permite estruturar e concretizar a revolução pessoal.

Astronomia versus Astrologia: José Prudêncio responde
O que valem afinal os horóscopos de jornal?

Os horóscopos de jornal devem ser entendidos como um jogo social com funções lúdicas. Ainda que este jogo não tenha fundamentos científicos, cumpre uma função social de identificação semelhante a pertencer a um clube de futebol. Os Signos do Zodíaco constituem uma tipologia psicológica que nos ajuda a ter uma primeira ideia sobre alguém que acabámos de conhecer. Ao mesmo tempo, os horóscopos podem servir de pretexto para uma pequena prática espiritual, uma oportunidade para reflectir um pouco sobre nós próprios. As previsões para os Signos fazem parte da cultura popular e não devem ser confundidos com a complexidade de um mapa astral e de uma consulta personalizada. A maioria das “objecções científicas” à astrologia baseia-se na crítica aos horóscopos de jornal. É o equivalente a querer desacreditar a Medicina com base na observação de umas crianças a brincarem aos médicos.

Os horóscopos dizem que quem nasceu entre 30 de Novembro e 17 de Dezembro é de Sagitário mas nesse período o Sol está na constelação de Ofiuco... assim, surge uma a pergunta de um astrónomo: porque é que só existem 12 Signos se o Sol durante o ano passa por 13 Constelações?

Esta pergunta parte do erro de confundir as “Constelações do Zodíaco” com os “Signos do Zodíaco”. Enquanto as Constelações são grupos de estrelas, que parecem juntas vistas da Terra, os Signos correspondem a doze divisões de 30 graus da eclíptica. Os Signos não têm relação com as estrelas mas sim com as Estações do ano: o Signo do Carneiro começa sempre no primeiro dia de Primavera, o Caranguejo com o Verão, a Balança com o Outono e o Capricórnio com o Inverno. Com isto quero tranquilizar todos aqueles que se identificam com o seu Signo solar, seja ele Escorpião ou outro qualquer: nenhum mudou, os Signos do Zodíaco são e continuarão a ser os mesmos doze.

Esta é mais uma das típicas objecções dos astrónomos: não há só fundamentalismo religioso, há também a ortodoxia pseudo-científica. Desde Hiparco, no século II a.C., que se distingue o Zodíaco Grego (dos Signos) do Zodíaco das constelações. Um astrónomo que confunde as duas coisas revela uma ignorância grosseira.

Existem muitas dezenas de constelações mas os Signos do Zodíaco são apenas doze. Os Signos não correspondem a uma realidade física, são um sistema de referência, um conjunto de interpretações e de significados, criado num dado contexto cultural. Criticar a astrologia por usar um sistema de referência com 12 Signos é análogo a dizer que o jogo de xadrez é um disparate porque só tem um Rei preto e outro branco quando na realidade existem mais reis…

No debate em que participei no Observatório Astronómico de Lisboa (“Conversas à Quinta” promovidas pela INATEL), sobre o tema “Astronomia versus Astrologia”, o Director do Observatório atacou a Astrologia apesar de aí ter confessado saber zero sobre o assunto. Cada um é livre de ter as opiniões e os preconceitos que bem entender, coisa diferente é permitir-se dar conferências públicas com base nesses preconceitos e na ignorância. É preciso desfazer o mito de que os astrónomos, porque estudam os astros, têm alguma competência para falar de astrologia. Astronomia e Astrologia são – e sempre foram, desde Ptolomeu – coisas completamente distintas. Enquanto a Astronomia (apesar de incluir teorias como o Big Bang, o “Grande Estrondo”, mais próximas do pensamento mítico que do pensamento racional) é considerada uma ciência, a Astrologia é um saber que faz parte duma herança cultural de significados, interpretações e símbolos. Há tantas razões para atacar a Astrologia como para atacar a poesia e a literatura sobre o céu e a Lua.

Para uma análise aprofundada destes temas veja-se o meu livro “Astrologia & Filosofia”.

Revista Visão, "Unidos à Nascença" Saramago e França
Correio da Manhã, "Português defende tese de mestrado em Astrologia em Inglaterra"
Mundo Vip, "O Caminho das Estrelas"
Revista Executiva, "O que Dizem os Astros"
Última actualização: Agosto de 2009
© José Prudêncio - Lisboa 2009